Há mais de
20 anos atrás, Bret Easton Ellis criou uma personagem que acabou se
transformando – mesmo que de forma satírica – o modelo de ser seguido nos dias
atuais: Patrick Bateman. Um homem bem sucedido, rico, bonito, alguém que apenas
quer se encaixar no molde do perfeccionismo humano. O protótipo do ser humano
atual: superficial, preconceituoso, misógino, falsamente antenado em ideias e
consumidor ávido – tanta para coisas e como para pessoas. Nomes de restaurantes,
filmes, roupas da moda, mulheres e colegas de trabalho são apenas algo num
catalogo mundial – tudo tem um preço, tudo é catalogado, tudo envolve você ser
o melhor, estar que nem a todos.
Patrick
Bateman tambem era um assassino de mendigos, torturador e estuprador de
animais, com tendenciais a necrofilia, bestialismo e canibalismo.
(se você
assistiu ao filme e achou pesado, nem pense em ler o livro – gráfico, pornográfico
e chocante são adjetivos para ele).
O livro
lançado em 1991 era acima de tudo uma sátira alarmista e uma ficção.
Infelizmente
hoje nos vivemos o envagelho do Sr Bateman
Não importa
que você ainda tenha fome após comer um prato ridiculamente pequeno e sem gosto
e absurdamente caro – importa que você esteja no lugar e seja visto lá – você esta
IN, você é TOP, Você é COOL. Não importa a beleza interior (quem se importa com
essa merda – não existe alma, deus esta morto, foda-se o amor, não existe isso
de sentimento), importa o que você tem, o valor da sua roupa, o que você pode comprar,
o quanto a sua influencia alcança as pessoas, quantos amigos você tem – não importa
se são verdadeiros ou falsos – importa que você tem muitos, aos milhares e
todos curtem você, o seu eu das imagens, que refletem o seu sucesso, nas suas
roupas, nos acessórios que você pode ter, nos lugares que pode ir, nas coisas e
pessoas que pode comprar. A vida são imagens constantes, nada realmente dura,
pois sempre há algo novo, sempre tem alguém mais interessante, sempre há um
novo lugar abrindo, sempre há uma atualização – tudo pode ser catalogado, tudo
tem um valor, toda diversão pode ser comprada/gravada/moldada. Todos apenas
querem se encaixar.
E caso ache
isso extremo, leia o jornal e veja quantas barbaridades ocorrem todos os dias e
são apenas pessoas normais que estouraram e perderam a paciência. A linha divisória
entre a sanidade e a loucura é apenas um salto no abismo, e quando se vive na
irrealidade cotidiana essa linha é menos nítida ainda.
Após tudo
isso, talvez ler psicopata americano não seja nada perturbador... se comprado
com a realidade.

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